Shemini Atzeret e Simchat Torá O Fim que é Recomeço
Shemini Atzeret e Simchat Torá
O Fim que é Recomeço
até Sábado, 3/10 à noite
até Domingo, 4/10 à noite
Depois de quarenta dias de introspeccão — desde o começo de Elul, passando por Rosh Hashaná, Yom Kippur e sete dias de Sucot — D'us faz um pedido íntimo ao Seu povo. O Midrash explica com uma parábola: "Um rei fez um banquete de sete dias para todos os seus súditos. Na hora de se despedir, ele diz aos seus filhos mais próximos: Fiquem mais um dia comigo. É difícil me despedir de vocês." Sucot foi o banquete para as setenta nações do mundo. Shemini Atzeret é o dia a sós — só nós e Ele.
Shemini Atzeret — O Oitavo Dia de Assembleia
Shemini Atzeret — "Oitavo Dia de Assembleia" — é uma festa independente, não o oitavo dia de Sucot. A Torá a ordena em Vayicra 23:36 como um Yom Tov separado, com suas próprias leis e seu próprio significado. É um Yom Tov completo: não se trabalha, acendem-se velas, faz-se Kidush.
"No oitavo dia haverá para vós uma assembleia."
Vayicra 23:36 — O mandamento de Shemini Atzeret na Torá
A Sucá: A maioria das comunidades ainda come na Sucá em Shemini Atzeret, mas sem recitar a bênção Leshev BaSucá. O Lulav e o Etrog não são mais usados.
Hashcavot: Na manhã de Shemini Atzeret recita-se o Hashcavot — a prece de memória pelos entes queridos falecidos. É um dos quatro momentos do ano em que se recita o Hashcavot.
Tefilat Geshem: Na tefillá de Musaf de Shemini Atzeret começa-se a rezar pela chuva. É o momento em que se transita de "Morid HaTal" para "Mashiv HaRuach uMoreid HaGeshem" — marcando o início da estação das chuvas em Israel.
Por que D'us ordena um oitavo dia depois de sete dias de Sucot? O Midrash explica com a parábola do rei e seus filhos: durante Sucot, os setenta bois oferecidos no Templo correspondiam às setenta nações do mundo — Israel intercedia pelo mundo inteiro. Mas no oitavo dia, D'us pede que Seus filhos mais próximos fiquem mais um dia. É uma festa de intimidade — D'us e Israel, sem a presença das nações. "Atzeret" vem de "atzar" — reter, segurar. D'us nos retém um dia a mais por amor.
— Midrash Vayicra Raba 35:5
Hashcavot — A Prece Sefardita de Elevação das Almas
Na tradição sefardita, a prece de memória pelos falecidos é chamada de Hashcavá (no plural: Hashcavot) — diferente do costume ashkenazita. A Hashcavá é recitada em Shemini Atzeret, Yom Kippur, no último dia do Pessach e em Shavuot. Uma diferença fundamental: no costume sefardita, ninguém sai da sinagoga durante a Hashcavot. Quem tem pai e mãe vivos fica — apenas não recita a Hashcavá específica de pai e mãe, mas pode recitar pelas demais almas. É uma prece de comunidade, não de exclusão.
A Hashcavot une dois mundos: os vivos fazem compromissos de tzedaká em memória dos falecidos, e as almas dos falecidos se elevam pela prece e pela caridade dos que ficaram. O Rav Ovadia Yosef codifica que é obrigação mencionar a tzedaká ao recitar a Hashcavá — este ato de caridade eleva a alma do falecido perante o Tribunal Celestial.
O Ben Ish Chai ensina que o Hashcavot em Shemini Atzeret tem uma dimensão especial: é o momento em que as portas abertas desde Rosh Hashaná estão prestes a se fechar. Rezar pelos falecidos neste momento, e cumprir a tzedaká prometida, é um ato de misericórdia que beneficia tanto os vivos quanto os mortos.
Tefilat Geshem — A Prece pela Chuva
Na tefillá de Musaf de Shemini Atzeret, o chazzan recita a Tefilat Geshem — a prece pela chuva. A partir deste momento, em vez de "Morid HaTal" (que faz cair o orvalho), passamos a dizer "Mashiv HaRuach uMoreid HaGeshem" (que faz soprar o vento e cair a chuva) na Amidá.
"Que faz soprar o vento e cair a chuva."
Segunda bênção da Amidá — acrescentada a partir de Shemini Atzeret
Esta mudança na Amidá não é apenas liturgica — é uma declaração de dependência de D'us. Israel reconhece que a chuva — e portanto a vida, a colheita e a existência — vêm exclusivamente de D'us. A chuva em Israel sempre foi questão de vida ou morte. Orar por ela é um ato de fé profunda.
Simchat Torá — A Alegria da Torá
Simchat Torá é o dia mais alegre do calendário judaico. Neste dia encerramos o ciclo anual de leitura da Torá — terminando Devarim com a Parashat Vezot Haberachá — e imediatamente começamos de novo em Bereshit 1:1. A Torá nunca acaba. No momento em que fechamos o último capítulo, já abrimos o primeiro.
A Parashat Vezot Haberachá — "Esta é a Bênção" — é a única parashá que nunca é lida num Shabat regular. Ela é lida exclusivamente em Simchat Torá, tornando este dia ainda mais especial. Nesta parashá, Moisés abençoa cada uma das doze tribos de Israel e depois sobe ao Monte Nebo, de onde vê a Terra Prometida antes de falecer.
Imediatamente após — na mesma tefillá, no mesmo rolo ou no próximo Sefer Torá — começa-se a leitura de Bereshit: "Bereshit Bará Elokim et HaShamayim veEt HaAretz — No princípio D'us criou o céu e a terra." A mensagem é poderosa: a Torá não tem fim. Onde termina, começa. Onde Moisés se despede, D'us cria novamente.
O ponto alto de Simchat Torá são as Hakafot — as sete voltas ao redor da Bimá com os Sifrei Torá. Todos os rolos são retirados da Arca e carregados em procissão cantante. Mas a Torá permanece fechada e enrolada em seu manto durante toda a dança. Por quê?
Se dançássemos com a Torá aberta, haveria diferença entre quem sabe mais e quem sabe menos — o erudito conheceria cada palavra que passa diante de seus olhos, enquanto o iniciante não reconheceria nada. Com a Torá fechada, todos são iguais. Um bebê de um dia tem a mesma conexão com a Torá que o maior sábio. Em Simchat Torá, não é o conhecimento que conta — é o amor.
— Baseado no ensinamento do Beit Chabad e da tradição chassídica
- Hakafot: Sete voltas ao redor da Bimá com os Sifrei Torá, cantando e dançando. A obrigação é de alegria genuína — não de número exato de voltas.
- Todos recebem Aliá: Em Simchat Torá, todos os presentes recebem uma Aliá na Torá — incluindo as crianças, que sobem juntas sob um Talit estendido sobre suas cabeças.
- Chatan Torá e Chatan Bereshit: Dois homens recebem a honra especial de encerrar Devarim e de começar Bereshit — são chamados de "Chatan Torá" (noivo da Torá) e "Chatan Bereshit" (noivo do Bereshit). É uma das maiores honras da sinagoga.
- Hackafot na noite: As Hakafot são feitas tanto na noite quanto pela manhã. A noite de Simchat Torá é a mais festiva — com música, dança e alegria que se estende até tarde.
As Bênçãos das Velas de Yom Tov
Em Shemini Atzeret e Simchat Torá acendem-se as velas de Yom Tov antes do início de cada festa. Atenção especial: na noite de Simchat Torá (Sábado à noite), o fogo das velas deve ser transferido de uma chama já acesa — não se acende fogo do zero no Yom Tov que começa no Shabat.
Como Celebrar em Casa e em Comunidade Emergente
Você não precisa de uma grande sinagoga para viver estas festas. O judaísmo foi feito para sobreviver em qualquer condição — e seus ancestrais provaram isso durante quinhentos anos. Aqui está como celebrar onde você está.
- Acenda as velas de Yom Tov com as bênçãos acima
- Faça o Kidush festivo com pão ou Chalá
- Na primeira noite, ainda dentro da Sucá (sem a bênção Leshev BaSucá)
- Leia juntos o último versículo da Torá e o primeiro de Bereshit
- Explique às crianças: hoje terminamos e já começamos de novo
- Cante: "Sisu veSimchu beSimchat Torá"
- Diga com todos: Chazak Chazak veNitchazek!
- Faça as Hakafot com um único Sefer Torá — é suficiente
- Coloque música judaica alegre durante as voltas
- Distribua bandeirinhas para as crianças carregarem
- Troque quem carrega o Sefer a cada volta
- Dê uma Aliá a cada pessoa presente
- Cubra as crianças com um Talit para a Aliá coletiva
- Leia Vezot Haberachá e recomece em Bereshit
Em Simchat Torá, a Torá fica fechada durante as Hakafot porque a alegria deste dia não depende de quanto você sabe. Ela depende de quanto você ama. Um Bnei Anussim que está há três meses no caminho de retorno tem a mesma conexão com a Torá fechada que o maior sábio da geração. Neste dia, todos dançam juntos.
O Rebbe de Lubavitch ensinava: "Em Simchat Torá, os Sifrei Torá querem dançar — nós somos apenas os pés deles." Deixe-se ser os pés da Torá neste dia. É suficiente.
"Fiquem mais um dia comigo. É difícil me despedir de vocês." — D'us a Israel em Shemini Atzeret. Quarenta dias de encontro chegam ao fim. Mas a Torá não termina — ela recomeça. E nós com ela.
Chag Sameach! Que mereçamos dançar com a Torá neste Simchat Torá — cada um no lugar em que estiver, com a alegria de quem está voltando para casa.

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